Sons, cores e tons


Não tenho ideia do que escrever, mas quanto mais a dúvida surge, mais eu me sinto inspirada pra fazer alguma coisa, criar algo. Uma informalidade insana, entre mim e meus pensamentos significativos.
Não é difícil usar a criatividade, isso eu tenho de sobra – ou penso que tenho. O difícil, é fazer com que a sua ideia fique boa em um pedaço de papel.
Com essa vida cigana, aprendi que não vale apena amar as pessoas, mas é impossível não as amar, quando estou desesperada por amor. Preciso da atenção esbelta, preciso de alguém pra confiar, mas que eu possa confiar de verdade. Sem me preocupar em saber que em poucos anos, tudo vai mudar novamente, vai doer da mesma forma, e eu vou sofrer ainda mais.
Será que Deus não teve dó de mim quando criou o meu futuro deprimente? Uma criatura tão vulnerável, porque a justiça não o impediu de fazer o que fez comigo?
                Não estou reclamando, Deus escreve por linhas tortas. Eu sei. Mas o meu futuro não era o que eu esperava, o meu passado me assusta, me faz temer. Não pelos meus atos – jamais – mas, por tudo que passei. Várias cidades diferentes, conhecendo pessoas novas, as amando com muita facilidade, e confiando nelas com a mesma facilidade, mas depois, acontece uma nova mudança e tudo que se passa na cabeça de uma jovem adolescente é: Essa dor não acaba nunca?
                Perder os amigos que te fizeram rir na sua realizada infância e não poder fazer nada pra impedir que isso aconteça. Não é isso que desejo pra nem uma das pessoas que pude viver, não é isso que desejo a ninguém.  
                É pedir muito poder confiar alguém? É pedir muito ter alguém? Não que eu não tenha amigos, esses eu tenho de monte. Mas, não os quero pra não poder viver com eles mais que poucos anos. Pra que? Pra os amar e os perder? Não é assim tão fácil. Não é mesmo.  
Mas é ainda mais difícil, quando você precisa fingir que nada acontece. Que a depressão não te mata por dentro. Quando ela parece corroer todos seus órgãos, até não sobrar mais nem uma veia.
                Fico feliz em saber que existem pessoas que se preocupam comigo. Podemos os chamar de amigos. Mas, será que essa mesma preocupação ainda existirá daqui a cinco anos? É aquela revoltante certeza óbvia que você quer que se torne uma dúvida.
                Já não sei dizer pras minhas amigas: “Confie em mim, seremos amigas pra sempre!”. Cheguei à conclusão – da pior maneira possível – que isso não existe. Nunca existiu. Pelo menos pra mim.

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